quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Performance Mnemósine

Mnemosine ou Mnemósine (em grego Mνημοσύνη, pronounciado /mnɛːmosýːnɛː/) era uma das titânides, filha de Urano e Gaia e a deusa que personificava a Memória. (Wikipédia)
Essa performance foi uma performance importante, foi a ultima do período e nosso ultimo "trabalho" na matéria de Direção 1. A performance se chamou Mnemosine, como a maioria das performances do período essa também teve o nome de uma deusa. Essa performance consistia em trazer a memoria da infância ou de algum momento importante da sua vida.
Eu levei um cd vinil dos Jonas Brothers, minha banda e minha paixão quando adolescente, achava que iria casar com um dos integrantes e vivi aquela paixão por anos, e até hoje gosto deles, foi uma época boa e eu decidi levar aquilo. Levei também um DVD do filme High School Musical que era um dos meus filmes preferidos quando adolescente, eu sempre tive paixão pela vida nos EUA e as escolas de lá e sempre me identifiquei com isso, eles catavam, dançavam, atuavam e jogavam basquete e eu amava aquele universo. Levei minhas medalhas, eu sempre fui bem gordinha, nunca tive um corpo padrão mas sempre fiz tanto esporte. Levei medalhas de tae kwon do, ginastica rítmica (G.R.), natação, basquete, e várias outras coisas. Eu nem lembrava direito, eu levei a primeira medalha que eu ganhei, foi em 2001 e eu tinha 4 anos, eu fazia natação e atravessei uma piscina de 25 m usando boinha e nadando e ganhei em primeiro lugar. Levei também um colam de G.R. e uma foto da época que eu usei a anos atrás, quase 10 anos. Levei um macacão com 3 fotos, uma minha, uma da minha irmã e um do meu irmão usando o mesmo macacão quando criança. Levei meu primeiro MP4 e minha primeira câmera digital, eu sempre gostei muito de fotografar e ouvir musica. Levei uma boneca que eu dormia com ela e minha vó que tinha me dado...
Era legal poder passar e vê o que cada um tinha trazido e o uma parte de cada um que ainda não conhecíamos, algumas memorias ou saudades e como aquilo mexia com cada um deles.

A Memória pode-se traduzir como as reminiscências do passado, que afloram no pensamento de cada um, no momento presente; ou ainda, como a capacidade de armazenar dados ou informações referentes a fatos vividos no passado. Luana Aparecida Matos Lea

Performance Anna Puk

Em uma das aulas fizemos um brainstorming e jogamos varias ideias, tudo que vinha na cabeça sobre performance fomos falando. Yule deu uma ideia que é uma coisa bem Yule mesmo, até porque estávamos falando sobre performances individuais. Yule deu a ideia do grotesco, alguém estaria vendendo coisas inusitadas e grotescas. Todo mundo gostou da ideia porque seria uma coisa engraçada e eu estava esperando pra ver a reação das pessoas e achei que essa ideia seria bem interessante. 
Anna pediu pra ficar com a função de vender até por ela já ser vendedora.
Cada um tinha que levar alguma coisa grotesca.
Levaram unhas, papel higiênico com coco, sabonete com cabelo, foto autografada, fio dental usado, lamina de barbear com pelo, e várias outras coisas.
O grotesco em geral emana do polo de uma alteridade que se mostra, por vezes, desorientadora, incompreensível, incerta ou mesmo hostil ao senso comum. SANTOS, FRS.
Fizemos um menu com todos os valores e colocamos valores barato como centavos para coisas estranhas como absorvente usado, calcinha suja, papel higiênico com coco e várias coisas do tipo, pra vê a reação das pessoas ao olhar para o papel e perceber o que estava sendo vendido ali de verdade. Colocamos um valor maior para coisas tipo foto autografada.
Colocamos uma mesa em frente a entrada da UVV em frente ao shopping Vila Velha e todo mundo que saísse ou entrasse iria vê a mesa e poderia ficar a vontade.
Anna é uma pessoa bem doce e na hora de vender não foi diferente, e ela tem pratica nisso o que, imagino eu, tenha sido mais fácil pra ela lidar com o publico e como chama-los para observar a mesa e olhar o cardápio.
Ela engraçado a reação das pessoas, elas riam e se perguntavam se aquilo era sério, se tudo aquilo tava sendo uma "zueira" das boas.
O interessante era que eles não imaginavam que era o "pessoalzinho de artes cênicas", não ficava ninguém ali perto dela e a câmera estava escondida, o que dava um ar maior do real. 

Performance Esperando Godot

A performance tinha sido planejada na aula passada. A proposta era duas performances ao mesmo tempo e iria acontecer no terminal de vila velha. 
A primeira era a performance Esperando Godot, que é uma peça escrita por Beckett, que estudamos na aula de Historia do Teatro sobre Teatro do Absurdo, e nessa peça eles sempre estão esperando por Godot e eles nem sabem quem é Gotod. Essa performance tinha como base esse conceito. Rafa estaria de roupa chique sentada em uma mesa com comidas e estaria esperando alguém sentar com ela pra ela poder comer, o que se parece bastante com a peça Esperando Godot, porque ela está sempre esperando por alguém e ela não sabe quem é esse alguém.
A outra performance era Sarah e Yule, era uma performance onde Sarah estaria depilando a perna de Yule no meio de todos enquanto elas estavam vestidas com roupas chiques. Quando elas falaram que iam depilar com cera eu fiquei pensando que tal fosse melhor espuma de barbear e lamina por estar em publico e aquela cena iria causar um super estranhamento. Mas entendi que o que elas queriam passar não era essa coisa de estar se arrumando ou fazendo alguma coisa do tipo embaraçosa no meio de todo mundo, o fato delas estarem usando cera quente era um "protesto" feminista onde elas queriam questionar o papel da mulher na sociedade e as coisas que elas tinham que fazer para ser aceita mulher. Yule iria fazer toda a performance como se aquilo fosse super prazeroso  de se fazer, sem dor.
Quando chegamos ao terminal não nos deixaram fazer a performance, precisava de autorização e com isso tivemos que adaptar. Porém o centro de vila velha as 21:30 não tem movimento algum e chega a ser perigoso ali. Saímos andando para a pracinha, que por sinal é deserta e dizem que é bem perigosa, achamos um ponto de ônibus que era em frente a uma escola, Vasco Coutinho, que os alunos já iam ser liberados. Devido aos imprevisto tivemos que adaptar tudo, não teria como fazer a performance de Yule e Sarah porque estávamos em um ponto de ônibus e não tinha como esquentar a cera. Então fizemos a performance da Rafaela. Eu tava no apoio o tempo todo, então ajudava a montar os pratos para trocar, o que não era tão fácil porque não tinha um lugar onde podíamos fazer isso, mas fizemos o possível para tentar deixar tudo bonitinho e arrumado para a performance.

Os espetáculos de performance têm uma característica de evento, repetindo-se poucas vezes e realizando-se em espaços não habitualmente utilizáveis para encenações.. COHEN, R
Mas no final deu tudo certo, a performance foi bonita e interessante, em um lugar inusitado as pessoas ficavam assustadas e achavam graça, riam e quem teve oportunidade participou. 
Mas acho que as performances deveriam ser estudadas melhor quanto a organização como transporte e local. Tudo bem que performance é adaptada na hora e se cria na hora, mas temos que ter a consciência de onde queremos e estudar um local interessante, porque tivemos correria e bastante desorganização, porque tínhamos planejado mas não tínhamos pesquisado se aquilo podia ou não acontecer.

sábado, 10 de outubro de 2015

Performance Tiresias

Na mitologia gregaTirésias (em gregoΤειρεσίας) foi um famoso profeta cego de Tebas – famoso por ter passado sete anos transformado em uma mulher. Era filho do pastor Everes e da ninfa Chariclo. (wikipedia).
 Não sei ao certo como surgiu a ideia nessa performance, também conhecida como Happening,
Happening é uma manifestação artística ao vivo que envolve improvisações e participação da audiência numa mistura de performances teatrais, dança, canto, poesia e artes plásticas. Os primeiros happenings surgiram nos anos 1950, influenciados pelo dadaísmo, pelo futurismo e pelo Teatro do Absurdo, e tornaram-se frequentes na década seguinte, acontecendo em ruas, galerias de arte e espaços vazios ou abandonados, como lojas e galpões. Esse tipo de manifestação, que recusava as convenções artísticas, acabou se identificando e sendo adotada por vários artistas da Pop Arte. Uma das ideias centrais do happening é que, como é baseado na improvisação e não tem uma estrutura fixa, ele não pode ser reproduzido. O termo "happening" foi criado pelo artista norte-americano Allan Kaprow e, segundo ele, os temas, materiais, ações e associações que os happenings evocam devem ser inspirados em qualquer lugar, menos nas artes. As reflexões sobre a arte do filósofo John Dewey, a música minimalista e experimental de John Cage e a forma de trabalhar (action painting) do pintor norte-americano Jackson Pollock contribuíram na formatação dos happenings, principalmente durante osanos 60.  (http://lazer.hsw.uol.com.br/happening.htm)
A performance aconteceu no estúdio de TV, a nossa turma estava junto com o pessoal de fotografia. Colocamos alguns obstáculos pelo local e guardamos as coisas que poderiam machucar. Saímos e apagamos as luzes. Ao entrar na sala escura, descer as escadas já era uma coisa difícil. Tive que sentar e ir descendo. Não consigo descreve tudo que vivi ali, mas posso afirmar que foi uma experiencia unica. Com as luzes apagadas você consegue ir além, eu abraçada, sentia todo mundo, dentava, e quando alguém vinha propor alguma coisa, eu jogava com ela.
Como o toque muda, como o medo de quem você ta tocando aumenta. Eu não me contive. Eu embarcava. Dancei, ri, cantei, abracei, senti.
É louco pensar como o escuro nos trás emoções e sensações diferentes, a relação com o publico mesmo que não estejamos vendo. Não sei direito como descrever aquela performance.

“o ator vive, chora, ri, em cena, mas enquanto chora e ri ele observa suas próprias lágrimas e alegria. Essa dupla existência, esse equilíbrio entre a vida e a atuação, é que faz a arte” (STANISLAVSKI, em A Construção da personagem, 1992a, p. 198)

Performance Medusa

Não participei da performance nesse dia. Eu estava com fortes dores na coluna e na cabela e preferi ir embora porque nem andar conseguia, o lado direito do meu corpo tava travado todo.
Mas vou colocar trechos de relatos de vários colegas de turma e comentar alguma coisa. 

Medusa (em gregoΜέδουσαMédousa, "guardiã", "protetora"[1] ), na mitologia grega, era um monstro ctônico do sexo feminino, uma das três Górgonas. Filha de Fórcis e Ceto[2] (embora o autor antigo Higino[3] interpole uma geração e cite outro casal ctônico como os pais da Medusa),[4] quem quer que olhasse diretamente para ela era transformado em pedra. Ao contrário de suas irmãs górgonas, Esteno e Euríale, Medusa era mortal;[5] foi decapitada pelo herói Perseu, que utilizou posteriormente sua cabeça como arma,[6] até dá-la para a deusa Atena, que a colocou em seu escudo. Na Antiguidade Clássica a imagem da cabeça da Medusa aparecia no objeto utilizado para afugentar o mal conhecido como Gorgoneion. (wikipedia)
Eu lembro quando foi escolhida a performance, foi uma proposta de Vini e todos acataram, pois foi uma coisa super criativa. Criar um estranhamento nas pessoas que estão indo pra casa depois de um dia de trabalho e param no sinal e tem pessoas ali brincando de pular saco. A performance foi sendo recreada de acordo com o tempo que passava, iam surgindo ideias novas. Lembro que antes de ir embora, ainda quando assisti o inicio da performance, falei com Naiara sobre andar e parar no sinal, como estatua e descobri que eles fizeram depois. Não sei como surgiu a ideia deles na hora, mas fiquei feliz deles terem feito.

Com dialogo com a citação prescrita acima, identifiquei a performance de medusa como um ato de liberdade, poder se libertar com algo que te trás uma lembrança da infância, com certeza é algo fantástico que carregamos como uma herança vivida. E o que o autor cita é que a criança (infância) é movida por algo “intrínseco”.Em alguns momentos que estávamos performando, muitas pessoas que paravam os carros no sinal, ficavam olhando, e outras não paravam de olhar dentro dos ônibus, não sei, mas creio que veio memórias na mente dessas pessoas, com lembranças da infância. Havia outras pessoas que criticavam e diziam: “que bando de marmanjo, vai arrumar uma enxada”. Mas pra muitos não foi essa a mensagem que foi passada. A performance tem varias interpretações na cabeça das pessoas que assistem aquele ato, poderia se dizer que é um ato de protesto, protestando as crianças que são escravizadas, ou poderia ser de crianças que sofrem abusos, não sei ao certo, pois são hipóteses de vertentes que tendem a ser formada através de vários pensamentos quando se juntam para olhar e ficar se perguntando. (Jeferson Tavares) 

Lendo os relatos tive vontade de participar.

Concluo deixando a minha opinião, gosto de todos os tipos de performances, sejam elas "leves", engraçadas, sem sentido, estranhas, loucas, grotescas, forte, insana, enfim, é um tipo de arte que mexe verdadeiramente comigo, e acredito que quando feita em grupo tem uma força grandiosa, individualmente ou em pequenos grupos também tem a sua beleza, mas fico mais inspirada com aquelas em grupo, admito.
Um problema que estamos lidando também é o horário da aula, que é às 21h e é difícil achar um lugar para performar que tenha gente essa hora, mas vamos nos adaptando da melhor forma. (YULE SANTOS PIN)

Percebo como o horario da aula vem prejudicando um pouco as performances, não prejudicando. não sei se é a palavra certa a se usar, mas se fosse um horario mais cedo, talvez poderiamos explorar novos lugares, ter mais tempo ali para desenvolver a performance. 

Performance Sansão

No contexto das artes, o termo performance designa as apresentações de dança, canto, teatro, mágica, mímica, malabarismo, referindo-se ao seu executante como performer. (wikipedia)
hebreu Sansão, famoso pela sua força descomunal, fica noivo de uma mulher filistéia chamada Semadar. Ela é morta logo depois do casamento pelos filisteus na tentativa de matar Sansão. A irmã de Semadar, Dalila, que é apaixonada por Sansão, porém é muito ambiciosa, tenta descobrir o segredo da força de Sansão em troca de pratas e riqueza. Após descobrir que a força está em seu cabelo, ... (wikipedia)
Em uma reunião em sala, começaram a surgir propostas de performances até que começamos a ligar a parte teórica, que temos com Lara, junto com a pratica. Várias ideias surgiram até que Anderson propos uma que ele seria o performer, o lugar poderia ser o shopping, UVV, pracinha, praia, qualquer lugar, onde estivesse uma placa sinalizando "corte meu cabelo" e uma tesoura pendurada e cada um tinha que ir e cortar o cabelo da forma que quisesse. Essa é conhecida como bodyart, que é quando a o corpo é a arte.
[...] a utilização do corpo, tanto pela arte como pela publicidade, vem assinalando um importante crescimento de uma expressiva diversificação. Para alguns artistas, a partir desse momento não basta uma arte que retrate o corpo, ou que seja produzida sobre o corpo; ela tem que ser produzida com o corpo (PIRES, 2005, p. 87).
Era uma performance de risco, ele estava ali, parado com uma tesoura na mão. A pessoa poderia fazer o que bem queria com a tesoura, dependendo de como a pessoa estava com vontade de fazer. Poderia cortar o cabelo da forma que quisesse. 
Lembro quando Rejane perguntou se alguma menina queria fazer e ninguém teve coragem. Não teria coragem ainda de cortar o meu cabelo daquela forma, até porque meu cabelo demora muito pra crescer e eu provavelmente ficaria careca.
Durante a performance, como estava assistindo, ouvia relatos das pessoas que passavam por ali. Uma mulher falando da roupa de Anderson, que ele usava saia, que ele era gay e coisas do tipo. Acho que a roupa dele meio que mostrava um identidade, mostrava o estilo dele. Depois da performance falaram que ele poderia estar usando um terno e eu concordo, acho que o terno tem uma imagem, imagem de "homem", imagem de trabalha, pessoa bem sucedida,  uma imagem de elegancia. O que teria outro impacto. Acho que qualquer roupa que usasse faria um novo significado para a performance.
Rejane chamava as pessoas pra ir até a performance, acho que não precisava. É um ponto de vista pessoal isso, eu acho que a performance deveria bastar por si só, uma hora alguém iria ficar intimidado com aquela placa e situação, ia ter um incomodo, se começasse a surgir perguntas ai sim poderiamos responder como publico do tipo "acho que temos que ir lá e cortar o cabelo dele", e ir e mostrar como se faz. Não sei. Deixar que uma hora alguem iria.
Eu gostei dessa performance pois nos faz pensar no limite, no risco. Acho que toda performance foi corre um risco, não acho que performance nós estamos disposto a acontecer tudo ou qualquer coisa, mas sim tudo que decidimos nos dispor a sofrer, nós criamos um risco.

O ato de cortar o cabelo não gera estranhamento, mas quando este ato é colocado no meio da rua, a noite, e ainda por cima coloca os moradores daquela região como os próprios cabeleireiros, ai sim, cria-se a poética do estranhamento, pois aquela ação se encontra deslocada, isso também problematiza o sentido das coisas em si. O dadaísmo é uma linguagem utilizada no universo artístico que brinca com essa questão do “não fazer sentido.” Pensar em não fazer sentido faz também uma crítica ao porquê de tudo hoje em dia precisar fazer sentido. Sansão também brinca com isso também, pois levar o ato cotidiano pra rua, além da poética do deslocamento, também não faz sentido, inclusive é válido pensar que a própria linguagem do deslocamento gera a linguagem do dadaísmo, fazendo com que as linguagens de uma arte se conversem em prol de uma performance em si. (DAMIANI, Sarah. Blog)

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Performance Morfeu

Morfeu (do grego Μορφεύς, "moldador [de sonhos]") é o deus grego dos sonhos. (wikipedia)
Essa performance foi a primeira do semestre e venho através desse relato, detalhar um pouco dessa experiencia. 
A performance se chamava Morfeu exatamente por isso, sonhos, que a maioria das vezes nos remete a dormir, que nos remete a nosso quartinho, que nos remete a nossa caminha. Esse nome foi dado pelo Lazaro, que adora mitologia por sinal. Nessa performance tínhamos que estar deitados pelo corredores do prédio branco, mais conhecido como prédio de direto, nossos fãs da UVV, onde cada um tinha que fazer alguma ação que faz antes de dormir ou enquanto dorme.
Até o horário da aula eu não sabia o sentido da performance, não que a performance tinha que ter um sentido, mas eu não tinha achado um sentido pra mim. Comecei a conversar com os colegas de sala pra tentar entender a proposta, e iriamos apenas sentar no corredor da UVV e cada um tinha que fazer a atividade "designada", queríamos causar um estranhamento as pessoas que ali passavam e isso me fez pensar. Fazer com que as pessoas pensem, causar um estranhamento, causar um questionamento, problematização é ótimo, é uma ótima forma de usar a arte.
Eu praticamente não sabia o que cada um ali iria fazer, eu sabia que eu iria ter que convidar as pessoas para deitar comigo. Mesmo antes de entender, na construção de um personagem pra performance (não precisa ter um personagem pra performance, as vezes nem super planejada precisa ser, mas eu precisava planejar), eu decidi ser uma criança. Não exatamente uma criança, mas alguma pessoa que tivesse algum tipo de "problema" que tivesse uma imaginação que fosse fluindo. Eu poderia ser quem eu quisesse, literalmente. Meu dever era chamar as pessoas para deitarem comigo, eu poderia ser um cachorro pedindo carinho, poderia ser uma prostituta chamando alguém pra deixar com ela, usando uma lingerie vermelha bem forte (cogitei essa possibilidade e foi uma coisa que me deu vontade de fazer, seria uma coisa totalmente diferente do que eu sou, ainda mais pela timidez e quase não falar, usar uma coisa que marcasse o meu corpo, que por sinal morro de vergonha de mostrar o meu corpo, me fez ter vontade de viver uma personagem assim, só que pensarei bem e o fato de ser uma ambiente onde eu estudo e teria que conviver com aquelas pessoas pelos corredores todos os dois, me fez recuar. Pensei nos adjetivos que iria ouvir por estar a cima do peso, pensei no que Lazaro iria achar também, se ele ficaria com ciumes ou preocupado com o que poderia acontecer se alguém deitasse ali, talvez até ajudaria na cena dele de ficar pensando em uma noite de insonia. Tive medo do que poderiam fazer comigo se alguém deitasse comigo com tais vestimentas também), poderia ser.. sei lá, qualquer coisa que eu quisesse, eu estava livre pra embarcar nisso.
Eu fiz a "criança" mesmo, não tenho outro nome melhor pra falar. Quando eu comecei e senti um frio na barriga, uma coisa dentro de mim inexplicável. Tava com medo mas ao mesmo tempo animada. Eu tinha medo de dormir sozinha, chama as pessoas para deitar comigo naquele colchão e realmente queria sair daquele mundo. Todo mundo que deitava comigo eu não queria que eles, ou eu, pensassem que estavam em um corredor da faculdade, mas sim em uma casa onde desse pra vê as estrelas, contava meus medos, sempre ouvia passos mas nunca ninguém chegava, eu viva sozinha. triste. Eu queria alguém ali pra conversar, me da um abraço, contar uma historia. Dizia que tinha um amigo imaginário que tinha formas diferentes, cara de elegante. Ficava fascinada quando alguém embarcava nesse meu imaginário. Mas nem todos faziam isso, Eu perguntava se estavam vendo estrelas e escuta "não", seco e nem ao menos tentar enxergar. Ou pessoas que só deitavam porque queriam descansar. Vinha pessoas filmando e sentava pra querer saber o que era aquilo enquanto riam. Outras sentiam dó por eu estar ali sentada e ninguém querendo deitar comigo. Lembro que um amigo meu passou e eu poderia jurar que ele ia sentar comigo, não tinha ninguém no corredor aquele horário, só ele passando, e eu pedi que ele sentasse comigo e ele negou, eu gritei implorando e ele virou as costas e saiu. Juro que tudo que senti na hora foi vontade de chorar, aquilo me trouxe uma emoção, uma energia, uma vontade de ficar ali chorando, sem ninguém. Lembro que gritei de uma forma que não consigo descrever, mas já ouvia a tristeza ali dentro. Engoli o choro. Pessoas começaram a passar e eu as chamava, até que por alguns comentários me fizeram rir e aquela tristeza então já tinha ido embora. 
Eu estava com um pijame de Frozen, um filme infantil bem famoso, tudo bem infantil. Mas ouvi comentários do tipo "não deito porque tenho namorada", "se minha mulher souber eu to frito", "se eu deitar vai da merda", "se eu deitar não vai prestar". Apesar de comentários assim eu não tive nenhuma especia de desrespeito, eram comentários vazios que não me afetaram, até me fez me sentir um pouco mais bonitinha no momento. Todos que deitaram ou sentaram me tratam super bem, com total respeito. Ganhei abraços e até conselhos pra não ficar triste e nem me sentir sozinha.
Já estava na hora de ir quando dois meninos sentaram ali, um eu já conhecia, outro mais ou menos, só que eles me tratavam como se não me conhecessem e conversaram mesmo com o personagem. Apesar de conhece-los, não tenho nada de intimidade com nenhum deles. Um deles estudava na mesma escola que eu só que não eramos amigos ou nem nos falávamos. Quando eu embarcou em tudo que eu falava, ele viajava junto, ele me fazia querer viajar mais e querer pensar mais e querer viver mais aquilo, aqueles pensamentos loucos. Ele me fez realmente improvisar coisas que nem 1/3 eu tinha conseguido com todas as outras pessoas que ali deitaram/sentaram comigo.
A experiência como algo da ordem do vivencial. Em performance, é a colocação do corpo em ação. É o ato e o que ele imprime no seu corpo  (ou faz brotar) como sensação, percepção, conscientização. O corpo do performer e também os corpos de quem o assiste são experimentados em um contato recíproco. Sendo assim, a ação é, ao mesmo tempo, reação: a ação é pré-concebida pelo performer que, ao realizá-la, está submetendo seu corpo ao impacto da presença e da resposta dos outros corpos e reagindo aos mesmos. Corpo a corpo. (P A I M , C l a u d i a . “ E v i d ê n c i a s d o c o r p o ” . 2 0 1 0)

Lembro que Anna estava bem na saída da rampa com o Kurt, seu filho de apenas meses de idade em seus braços e ela pedia silencio pra todos que passavam enquanto insinuava que estava fazendo o bebe dormir. Uma coisa que ouvi dessa cena era que as pessoas achavam que tudo era de verdade, não era cena, mas que a UVV estava abrigando pessoas, principalmente por ser um dia de chuva. Isso me trouxe uma certa indignação, de pensar que eramos pessoas de rua. 
Ismael acordava a todo instante tendo pesadelo. Essa era a que eu queria escolher, mas fiquei feliz com a de chamar as pessoas. Acho que ele foi um pouco teatral em alguns momentos, mas ele se saiu muito bem.
Sarah tava bem próximo a mim e eu ouvia ela cantar, era bonito pra mim, ainda mais por ter que viajar mesmo na imaginação, acho que a musica me ajudou. Eu costumo ouvir bastante musica e cada vez eu viajo pra um lugar diferente ouvindo. Sarah em meio as criticas e as pessoas passando aqui e comentando e zoando, ela não parou de cantar em nenhum momento, era bonito. 
Iasmin tinha que rir, não sei como ela conseguiu rir sem parar. Eu não sei se eu conseguiria, até porque minha risada é horrível e teria uma leve vergonha de rir, pareço que to engasgando enquanto eu fico rindo. Ela teve um trabalho enorme de fala interna ali, pra poder sustentar aquele tempo todo.
Lazaro ficava pensativo e ouvindo musica, jogava um bolinha pra cima. Eu conheço Lazaro, acho que ele não é do tipo que pensa assim, não quando ta com insonia. Quando eu ligo pra ele a noite ele sempre ta assistindo TV. E ele não é tão calmo como as pessoas pensam. Acho que talvez em um local sem TV, ele pudesse pensar daquela forma, com aquela bola na mão pra mostrar sua ansiedade, angustia, nervosismo. Acho que ele fez um bom trabalho pra se sustentar na cena ali.
Marcela assustava todo mundo. Achei isso tão criativo. De onde eu estava só dava pra vê as pessoas levando um susto, o que era engraçado pra mim, as vezes tinha vontade de rir.
Yule e Jeferson andava pelos corredores encenando a violência contra a mulher, tanto de namorados, desconhecidos e até mesmo maridos. Todas as vezes que eles passavam por mim ou que eu conseguia enxerga-los eu me arrepiava, era forte a cena. Quando ele falaram que tinham pessoas que concordavam com a violência ou incentivavam a continuar, ou que mulher tinha que apanhar, me trouxe uma revolta. Enquanto eu, que chama as pessoas para deitar comigo, não tive nenhum tipo de insulto ou desrespeito, mas eles, que estavam ali com um ponto de vista totalmente diferente do meu, as pessoas concordavam com tal índole, tal desrespeito, tal má fé.
Não pude vê a Rafa e nem a Naiara com o Vini, mas eram as que eu queria ter visto. Rafa tinha que fazer posições diferentes enquanto dormir. Me idêntico com isso de não parar quieta na cama, eu me bato o tempo todo, as vezes soco minha mão na parede a noite mexendo e dou uma pulos na cama na hora de virar, acordo em uma posição totalmente diferente. Ela fez posições divertidas e de elasticidade. Acho que esse papel foi perfeito pra ela.
Naiara e Vinicius foi uma das cenas mais fortes. Vinicius se masturbava enquanto Naiara se pintava de vermelho e ia de acordo com o que Vinicius falava. Falava sobre o abuso também e poderia ter entendido da forma que cada um enxergasse. Foi bem forte a cena. Ouvi relatos que as pessoas paravam e se assustavam e ficavam um tempo ali olhando. Vinicius elogiou Naiara e disse que ela foi uma verdadeira parceira em cena. E acho que esse é o papel do performer, ele tem que estar preparado pra tudo, as coisas mudam e no decorrer da performance pode até começar a ter outros significados e, sem duvida, novos estímulos. Temos que ser sempre um "ótimo parceiro", temos que sempre está aberto a qualquer tipo de dificuldade. 
Ouvimos comentários ofensivos sobre o curso "esse povinho de artes cênicas", "vocês não estudam?", e várias outras coisas, como se fossemos vagabundos e só estávamos ali pra brincar. Não me importei com isso. Fiquei orgulhosa de todos ali, ficamos ali até o final, mesmo sendo insultado, mal olhado. Fizemos o que fizemos por amor.