sábado, 10 de outubro de 2015

Performance Sansão

No contexto das artes, o termo performance designa as apresentações de dança, canto, teatro, mágica, mímica, malabarismo, referindo-se ao seu executante como performer. (wikipedia)
hebreu Sansão, famoso pela sua força descomunal, fica noivo de uma mulher filistéia chamada Semadar. Ela é morta logo depois do casamento pelos filisteus na tentativa de matar Sansão. A irmã de Semadar, Dalila, que é apaixonada por Sansão, porém é muito ambiciosa, tenta descobrir o segredo da força de Sansão em troca de pratas e riqueza. Após descobrir que a força está em seu cabelo, ... (wikipedia)
Em uma reunião em sala, começaram a surgir propostas de performances até que começamos a ligar a parte teórica, que temos com Lara, junto com a pratica. Várias ideias surgiram até que Anderson propos uma que ele seria o performer, o lugar poderia ser o shopping, UVV, pracinha, praia, qualquer lugar, onde estivesse uma placa sinalizando "corte meu cabelo" e uma tesoura pendurada e cada um tinha que ir e cortar o cabelo da forma que quisesse. Essa é conhecida como bodyart, que é quando a o corpo é a arte.
[...] a utilização do corpo, tanto pela arte como pela publicidade, vem assinalando um importante crescimento de uma expressiva diversificação. Para alguns artistas, a partir desse momento não basta uma arte que retrate o corpo, ou que seja produzida sobre o corpo; ela tem que ser produzida com o corpo (PIRES, 2005, p. 87).
Era uma performance de risco, ele estava ali, parado com uma tesoura na mão. A pessoa poderia fazer o que bem queria com a tesoura, dependendo de como a pessoa estava com vontade de fazer. Poderia cortar o cabelo da forma que quisesse. 
Lembro quando Rejane perguntou se alguma menina queria fazer e ninguém teve coragem. Não teria coragem ainda de cortar o meu cabelo daquela forma, até porque meu cabelo demora muito pra crescer e eu provavelmente ficaria careca.
Durante a performance, como estava assistindo, ouvia relatos das pessoas que passavam por ali. Uma mulher falando da roupa de Anderson, que ele usava saia, que ele era gay e coisas do tipo. Acho que a roupa dele meio que mostrava um identidade, mostrava o estilo dele. Depois da performance falaram que ele poderia estar usando um terno e eu concordo, acho que o terno tem uma imagem, imagem de "homem", imagem de trabalha, pessoa bem sucedida,  uma imagem de elegancia. O que teria outro impacto. Acho que qualquer roupa que usasse faria um novo significado para a performance.
Rejane chamava as pessoas pra ir até a performance, acho que não precisava. É um ponto de vista pessoal isso, eu acho que a performance deveria bastar por si só, uma hora alguém iria ficar intimidado com aquela placa e situação, ia ter um incomodo, se começasse a surgir perguntas ai sim poderiamos responder como publico do tipo "acho que temos que ir lá e cortar o cabelo dele", e ir e mostrar como se faz. Não sei. Deixar que uma hora alguem iria.
Eu gostei dessa performance pois nos faz pensar no limite, no risco. Acho que toda performance foi corre um risco, não acho que performance nós estamos disposto a acontecer tudo ou qualquer coisa, mas sim tudo que decidimos nos dispor a sofrer, nós criamos um risco.

O ato de cortar o cabelo não gera estranhamento, mas quando este ato é colocado no meio da rua, a noite, e ainda por cima coloca os moradores daquela região como os próprios cabeleireiros, ai sim, cria-se a poética do estranhamento, pois aquela ação se encontra deslocada, isso também problematiza o sentido das coisas em si. O dadaísmo é uma linguagem utilizada no universo artístico que brinca com essa questão do “não fazer sentido.” Pensar em não fazer sentido faz também uma crítica ao porquê de tudo hoje em dia precisar fazer sentido. Sansão também brinca com isso também, pois levar o ato cotidiano pra rua, além da poética do deslocamento, também não faz sentido, inclusive é válido pensar que a própria linguagem do deslocamento gera a linguagem do dadaísmo, fazendo com que as linguagens de uma arte se conversem em prol de uma performance em si. (DAMIANI, Sarah. Blog)

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