quarta-feira, 29 de julho de 2015

Aula 17/09/2014 - Corpo

Nesse dia começamos a aula com o aquecimento e em seguida fizemos a variação de tônus 0% , 50%, 100% . Andamos por todo anfiteatro, passando pelas laterais, pelo palco, entre as cadeiras com as variações de acordo com a proposta da professora. É muito interessante essa proposta do tônus e da pra usar em vários personagens como quando a pessoa está com raiva, medo, frio, assustado, bêbado, cansado, tonto, passando mal.
Depois fizemos o exercício do espelho agora usando alguma palavra, sensação que tem na peça, como amor, odeio, medo, raiva e entre outros. A gente fazia um sentimento e depois mudava. Depois apresentamos para a professora. A minha dupla era o Jefferson. Primeiro fizemos olhando para a plateia usando a visão periférica e tínhamos que seguir a proposta do outro, um espelho mas não olhando um de frente para o outro. Fizemos raiva e medo. Depois um tinha que fazer medo e o outro raiva e então quando a pessoa mudava o sentimento a outra tinha que mudar também. Esse tipo de jogo é bem legal, eu particularmente gosto muito, porque a gente acaba acreditando naquilo, nossa respiração muda, nosso corpo muda e na hora que para demora um pouco para voltar ao estado normal.
Essa aula foi a minha vez de fazer a partitura.
Eu começo atrás da cortina e chamo: Senhora, olá, Julieta.
Olho para fora da cortina e falo: É quase certo que ainda esteja a dormir
Entro na cortina novamente e falo: Então, senhora, Então?
Olho para fora da cortina e falo: Mas que dorminhoca
Entro na cortina novamente e falo: Então, amor? Senhora, Estou chamando. Coraçãozinho, noiva.
Olho para fora da cortina e falo: Agora, desforrais a vossa parte dormindo uma semana, mas garante que noite que vem repouso o Conde Paris não terá, porque repouso ahhh...
Entro na cortina e falo: Porque repouso não possais ter. Oh Deus, me perdoa santa virgem, amém.. E continuo com o texto.
Saio desesperada da cortina, encostada na parede, andando como se estivesse assustada até o meio do palco, saio correndo e ajoelho e falo baixo ainda assustada: Socorro, socorro, socorro.
Saio correndo gritando pela lateral direita do anfiteatro: socorro, a patroa está morta. Aqui, Socorro. Senhor, Senhora, acudam.
E ai acaba a minha partitura, depois tem dialogo mas ainda não marcamos.
Vou confessar que antes de fazer estava super insegura, nunca tinha feito drama, sempre que ia fazer alguma cena em qualquer lugar sempre foi mais comédia ou algum conflito que causasse discórdia ou até mesmo eu sendo a "bitch" da historia, acreditem. Mas eu gostei muito, me identifiquei com o drama, o sofrimento, o desespero. Não sei pra TV mas no teatro, o fato de gritar e de se soltar e poder, ao menos, tentar transparecer esse sofrimento é muito bom e você acaba acreditando naquilo que faz até doer seu coração na hora da cena. Você consegue imaginar alguém morta e acreditar naquilo. Acho que quando eu fiz essa cena eu lembrei da minha mãe, e do desespero dela quando descobriu que meu avô tinha falecido e eu acho que isso acabou me ajudando na criação da fala interna.

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