domingo, 2 de agosto de 2015

Teledramaturgia 11/03 por Carol Bandeira

Essa foi a primeira aula que tivemos improvisação de cena. Fomos até a casa da Iasmin para ter o realismo que o cinema precisa. Quando cheguei lá não sabia de verdade qual cena fazer, não tinha grupo e nem ideia. É importante lembrar que tem que ter um conflito e que aquilo tem que trazer uma realidade pra você. A cena era sobre amigas que moravam juntas e tínhamos que dispensar uma porque ela não fazia suas obrigações. De principio ia fazer eu, Yule e Naiara (que seria a que iriamos “pedir para se retirar da casa”) e comecei a fazer minhas falas internas, escrever possíveis falas, no que pensaria, nas possíveis coisas que ela poderia ter feito para me irritar, e fui desenvolvendo, tava criando várias situações que tava gostando, imaginava o jeito da Nai pedindo “por favor, eu não tenho pra onde ir, eu juro que vou mudar” ou coisas do tipo, implorando pra poder ficar, porém poucos segundos antes da gente começar a gravar mudou, agora seria a Sarah e não a Naiara, e eu entrei em desespero dentro de mim. Porque tinha feito tudo baseado em uma personagem, naquela personalidade da pessoa, de como seria e na hora seria tudo diferente, pois elas são bem diferentes, Sarah tem aquele bate e volta, aquela coisa de falar, Naiara abaixa a cabeça e Sarah não, Sarah vai fundo e sempre rebate, e era pau com pau, e ia e ia, e falava e a outra rebatia e foi difícil um pouco, porque tive que mudar tudo na hora, mas aquela base de ter escrito antes foi fundamental, querendo ou não acaba trazendo a realidade pra cena porque você vai lembrando das coisas que você escrevendo e acaba ficando como suas falas internas. De acordo com Hagen quando o material dado não estimula o suficiente e vocês precisam buscar algo que dispare uma experiência emocional e os leva à ação imediata da peça, é chamada de substituição, e isso me aplica bastante no cinema, porque a todo tempo temos que fazer essa substituição, até porque sempre vive com meus pais e nunca nem se quer experimentei viver em uma casa com outras pessoas e acho que pra trazer a emoção precisa de substituições, eu lembro que lembrava do meu irmão enquanto fazia minhas falas internas, quando ele deixa a roupa em cima do vaso, quando ele tira as coisas da geladeira e não aguarda, deixa as coisas jogadas e comecei a colocar isso como imagem interna pra usar em cena. No final da cena foi legal porque Rejane deu a regra de jogo que tinha que acabar se batendo e durante a cena falamos alto e sentimos raiva de verdade com toda situação, a pessoa errada e ainda se fazendo de vitima, até que Yule e Sarah começaram a se bater e eu tentava tirar uma de cima da outra. Foi uma coisa nova porque sempre quis bater em alguém, aquele ar de rebeldia, mesmo não tendo batido foi divertido fazer, apesar de só ter tentado parar a briga eu fiquei com roxos nas pernas.

Na atuação do pessoal era bonito perceber como teatro é diferente de cinema, como o corpo precisa estar, a verdade no olhar, na fala. Fiquei impressionada com a Anna Paula, que quando fomos ensaiar Romeo e Julieta semestre passado ela teve dificuldade em não deixar teatral, mas dessa vez não, ela trouxe uma verdade em sua atuação que ficou bonito e real.

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